(Source: marcellohnp)

Sem perceber me sobe uma saudade de ti, é ligeira, mas perceptível. Com o tempo, percebo que deveria talvez ter lhe dado mais valor, o nosso lance, se é que podemos chamar assim, foi mais rápido que lágrima quando escorre sem aviso. Não durou mais que duas semanas. Não deu tempo, não para mim. Já não sou madura quando o assunto são relacionamentos, pois é, ainda me debato com um tempo curto. Você se envolveu rápido, mas eu não correspondi devidamente. Agora vejo o quão poderia ter sido bom, quem sabe eu aproveitaria mais sorrisos provindos daquelas época. E relembro a música do nosso primeiro beijo. Te digo, valeu a pena esperar, nosso beijo foi a combinação perfeita, para a pitada romântica, a garoa fina, e para apimentar-nos, o frio. Você chegou tão decidido, com ímpeto. Pegou-me pela mão e segurou na minha cintura, um dos meus pontos de redenção. Não resisti, levei-me pelo seu corpo e já estava diante da parede. Você acertou certinho, misturou a leveza e escorregas no momento mais conveniente, e tratou-me com carinho. Por vezes, puxava-me pelo braço me fazendo grudar o corpo, quando reparava que ficava sem graça. Certa hora, meu cabelo misturou-se aos lábios, e você rapidamente os tirou com cuidado e beijou a ponta do meu nariz. É difícil esquecer essa cena. Foi simplório, diferente. Ainda finalizou com uma mordidinha na minha bochecha. E quando não havia assunto… Tudo bem, quase não havia assunto - creio que isso que tenha me feito não avançar - você me abraçava, e era apenas isso. Formávamos calor. Não bastou muito para falaram que estávamos tendo algo. Mas sabíamos que não estávamos, mal nos conhecíamos. E a nossa falta de assunto me desinteressou, me afastou. Foi um lance, algumas noites. E hoje, pior que desconhecidos, fingimos que não existimos, ou que nada aconteceu. Mas nós sabemos que, por fim, aconteceu. E que foi fantástico. (a-promessa - Diana Seelaender)